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Um escritor dedicado ao auto conhecimento e em busca do significado do Ser Humano.

Pense Nisso!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O Poder Do Agora - Eckhart Tolle

Extraído do Livro "O Poder do Agora de Eckhart Tolle





Você alguma vez já vivenciou, realizou, pensou ou sentiu alguma coisa fora do agora? Nada jamais aconteceu no passado, aconteceu no agora. Nada jamais acontecerá no futuro, acontecerá agora.
O que consideramos como passado é um traço da memória, armazenado na mente, de um Agora anterior. O futuro é um Agora imaginado, uma projeção da mente.
Obviamente, o passado e o futuro não têm realidade própria. A realidade deles é "emprestada" do Agora.

A essência dessas informações não pode ser compreendida pela mente. No momento em que captamos a essência, ocorre uma mudança na consciência, que passa a desviar o foco da mente para o Ser, do tempo para a presença. De repente, tudo parece vivo, irradia energia, emana do Ser.

Enquanto não somos capazes de acessar o poder do Agora, vamos acumulando resíduos de sofrimento emocional. Todo esse sofrimento cria um campo de energia negativa que ocupa a mente e o corpo. se olharmos para ele como uma entidade invisível com características próprias, estaremos chegando bem perto da verdade. O sofrimento pode nos parecer um monstro perigoso, mas eu lhe garanto que se trata de um fantasma frágil. Ele não pode prevalecer sobre o poder da nossa presença. No momento em que o observamos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo a isso de presença. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo ser nosso eu interior. Então, não temos mais como realimentá-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior. Acabamos de acessar o poder do Agora, o poder da sua própria presença consciente.

O Tempo do relógio não diz respeito apenas a marcar um compromisso ou programar uma viagem. Inclui aprender com o passado, para não repetir os mesmos erros indefinidamente. Estabelecer objetivos e trabalhar para alcançá-los. Mas, mesmo aqui, no âmbito da vida prática, onde não podemos agir sem uma referência ao passado ou ao futuro, o momento presente permanece como um fator essencial, porque qualquer ação do passado se aplica ao agora. E planejar ou trabalhar para atingir um determinado objetivo é feito agora.

O principal foco de atenção das pessoas iluminadas é sempre o Agora, embora elas tenham uma noção relativa do tempo. Em outras palavras, continuam a usar o tempo do relógio, mas estão livres do tempo psicológico. Se estabelecemos um objetivo e trabalhamos para alcançá-lo, estamos empregando o tempo do relógio. Se insistimos demais nesse objetivo, talvez porque estejamos em busca de satisfação, deixamos de respeitar o Agora. E ele é reduzido a um mero degrau para o futuro, sem nenhum valor intrínseco. O tempo do relógio se transforma então em tempo psicológico.
Nossa jornada deixa de ser uma aventura e passa a ser encarada como uma necessidade obsessiva de chegar, de possuir, de "conseguir". Aí não somos mais capazes de ver nem de sentir as flores pelo caminho, nem de perceber a beleza e o milagre da vida que se revela em tudo ao redor, como acontece quando estamos presentes no Agora.

Sempre que você puder, crie algum espaço de modo a encontrar a vida sob a sua situação de vida.
Utilize todos os seus sentidos plenamente. Esteja onde você está. Olhe em volta. Apenas olhe, não interprete. Veja as luzes, as formas, as cores, as texturas. Esteja consciente da presença silenciosa de cada objeto. Esteja consciente do espaço que permite cada coisa existir. Ouça os sons, não os julgue. Ouça o silêncio por trás dos sons. Toque alguma coisa, qualquer coisa. Sinta e reconheça o Ser dentro dela. Observe o ritmo da sua respiração. Sinta e energia vital dentro do seu corpo. Permita que as coisas aconteçam, no interior e no exterior. Deixe que todas as coisas "sejam". Mova-se profundamente para dentro do Agora. Você está deixando para trás o agonizante mundo da abstração mental e do tempo. Está se libertando da mente doentia que suga sua energia vital, do mesmo modo que,lentamente, ela está envenenando a Terra.
Você está acordando do sonho do tempo e entrando no presente.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A IMPORTANCIA DO SILENCIO

por Alexandre "Shiva" Dias


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Zhuangzi
O objetivo de uma armadilha de peixes é pegar peixes; quando eles caem na armadilha, ela é esquecida. O objetivo de uma armadilha para coelhos é pegar coelhos; quando estes são agarrados, esquece-se a armadilha. O objetivo das palavras é transmitir as idéias. Quando estas são apreendidas, as palavras são esquecidas. Onde poderei encontrar alguém que se esqueceu das palavras? É com ele que gostaria de conversar.

Estas sábias palavras foram escritas pelo filósofo chinês Taoísta Zhuāngzǐ no século IV a.C., porém sua sabedoria é mais do que atual.

Fica claro que o Homem ainda concede uma incrível importância ás palavras, ou ainda, como diz a frase popular: “fala, fala, mas não diz nada!”.

Quantas vezes proferimos palavras sem significado em apenas um dia? Por experiência própria, tenho notado que o silencio é mais valioso, e muitas vezes transmite mais idéias que uma ação ou frase completa. Se lembrarmos dos monges, samurais, artistas marciais, lembraremos que todos eles são muito silenciosos. Não apenas porque é conveniente como estratégia marcial, ou por puro estado meditativo, mas porque o silencio nos aproxima do nosso EU. Mas não estou falando do eu EGO. Estou falando do que está além da noção “eu visto”, “eu faço”, “eu uso”; estou falando do âmago primordial, aquele que quando éramos crianças, tínhamos certeza de ser nós mesmos.


Porém, daquela época em diante, fomos ensinados a nos distanciar de nós mesmos. Ensinaram-nos que somos aquilo que vestimos, aquilo que aprendemos, aquilo que pensamos, enquanto na verdade, somos apenas o observador destes fenômenos. Acredito que no fundo, o leitor há de concordar comigo: não é a roupa que faz o homem, mas o homem que faz a roupa.

Parte da culta deste tipo de pensamento está na mídia obsessiva pelo lucro que obtém ao nos vender imagens.
Atualmente, a quantidade de informações acaba nos causado um “overload” mental. Caminhamos na direção contrária do pacifismo mental: cada vez mais nos deixamos ser bombardeado por musicas estressantes, barulhos ensurdecedores, conversas caóticas e mídias agressivas. Não estou julgando que o progresso seja negativo, muito pelo contrario, é um processo necessário. Porém, cada vez mais o silencio se torna raro.

Desde o começo do século passado, a quantidade de informações que o ser humano vem sendo obrigado a absorver cresceu enormemente. Convido o leitor a comparar os comerciais da época do começo do século com os atuais. A busca por lucro vem tornando estes veículos de informações em armas de distorção mental em massa:


Este é um comercial da Década de 40




Repare como a informação é fluida e calma.

Este é um comercial atual:




Onde a agressividade é estimulada.

Este é um exemplo do que se espera do “overload” de informações no futuro. Este vídeo foi retirado do Jogo Metal Gear Solid 4



Mesmo que você não entenda inglês, conseguirá pegar a mensagem, pois esta está fora das palavras.

O primeiro comercial, apesar de calmo, apela para o sentimento família. O Valor da necessidade e da beleza.

O segundo comercial, apela para a agressividade que já esta incutida em nosso lado irracional. E para isso ainda agrega uma marca.

O terceiro comercial, apesar de fictício, tenta bombardear você com um excesso de informações e ideais físicos. Ele apela para a auto-imagem.

Apesar de diferentes, todos essas propagandas são capazes de realizar um feito: fazer você não pensar. Todos eles apelam para os impulsos. Em uma mente onde não há silencio, o impulso é reagido com a ânsia de consumo, e o produto é comprado, muitas vezes para ser utilizado inutilmente.

Voltando a Zhuangzi,

(...) O objetivo das palavras é transmitir as idéias. Quando estas são apreendidas, as palavras são esquecidas. Onde poderei encontrar alguém que se esqueceu das palavras? É com ele que gostaria de conversar”.

Fico a pensar, em quantos protocolos, palavras e etiquetas utilizadas seriam desnecessárias se o homem cultivasse o silencio interior e o amor como transmissão de idéias? As palavras seriam meramente veículos de informação.

O importante não é a palavra em si, mas sim o que ela quer dizer. Para muitas pessoas, a palavra “Eu te amo” pode causar um grande desconforto mental e sentimental. Para outras, pode simplesmente fazê-las se apaixonar também. A palavra é apenas palavra, o que vale é o sentimento que vem com ela.

Para finalizar deixo outra passagem de Zhuangzi:

Quando um arqueiro faz tiro ao alvo, sem nenhum objectivo, emprega toda a sua perícia. Mas se o objectivo é ganhar um prémio qualquer, nem que seja uma taça sem valor, fica nervoso. E se o prémio é de ouro, então fica meio cego ou vê dois alvos: Fica fora de si ! A sua perícia não mudou. Mas o prémio divide-o. Preocupa-se. Pensa mais em ganhar do que em atirar. E a necessidade de ganhar impede-o de usar toda a sua perícia.

Não seria ótimo se estivéssemos sempre em contato com nosso EU? O Silencio é ... Tudo

domingo, 1 de novembro de 2009

Deusa Dana

Em Homenagem ao Beltane (ver link), solicitei a Marta que me enviasse um texto falando sobre a cultura celta. O texto conta a hisstoria da deusa Dana, e o surgimento dos Thuata de Danan. Sem delongas espero que gostem do texto, pois está bem elaborado.

Abraços de Shiva a todos!

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DEUSA DANA

"A mãe celeste, que dança na espiral das serpentes das estrelas, é a fonte de onde nasceu aquele povo antigo, que trouxe o druidismo a terra da esmeralda, seu nome Dana, significa bailarina brilhante" Cathbad

O mistério fundamental da religião celta e das cerimônias rituais que materializaram sua essência serão sempre difíceis de compreender. Tanto a espiritualidade deste povo guerreiro, quanto o fato de, inclusive, terem sido uma religião, viram-se eclipsados pela insistência romântica em envolver a mística celta no mundo das fadas e dos espíritos.

OS TUATHA DÉ DANNAN

Os Thuatha Dé Danann foram a quarta raça de colonizadores que chegaram na Irlanda antes da era cristã. Eles eram seres sábios, eminentes magos, cientistas e artesãos, possuidores de uma altíssima vibração espiritual, verdadeiros "seres de luz".

Os Tuatha eram provenientes da distante e mítica Hiperbórea, onde possuíam quatro cidades: Falias, Gorias, Murias e Findias, nas quais aprenderam ciências e magia e a aplicação conjunta de ambos os princípios por meio da instituição do druidismo. De cada uma dessas cidades mágicas os Tuatha Dé Danann trouxeram um tesouro:

Falias - Lia Fáil, a "Pedra do Destino", onde eram coroados os reis da Irlanda. Era uma grande pedra em formato de coluna que simbolizava a própria Terra, cujo poder só era compreendido pelo verdadeiro Rei;

Gorias - a Gáe Assail, a "Lança de Assal", que seria de Lugh, e retornava a mão após ser lançada (associada ao elemento Fogo);

Murias - o Caldeirão de Dagda, chamado o "Inesgotável", recipiente que continha a água, fonte de toda a vida (protótipo do Graal);

Findias - a espada inescapável de Nuada (associada ao elemento Ar).

Hiperbórea é um dos principais mitos genéricos europeus: um lugar de paz e sabedoria, uma terra de "leite e mel" de onde, provinha o primeiro homem branco estabelecido em algum lugar do norte do mundo. Um paraíso mágico e melancólico que não teve outro remédio senão abandonar e seguir para o Sul, quando grandes cataclismas mudaram o eixo da Terra e transformaram o mundo alegre e fértil em um charco árido e coberto de gelo.

Eles chegaram em Beltane (May Day) envoltos em um densa névoa mágica, a qual causa uma eclipse de três dias. Imediatamente atearam fogo em suas próprias embarcações impossibilitando a fuga de sua nova pátria. Estavam realmente dispostos a reconstruir sua civilização. Eles conquistaram e governaram a Irlanda por 200 anos, e por fim, foram conquistados pelos Milesianos. Foi quando migraram para os Mundos Subterrâneos das colinas (sidhe) e montes da Irlanda, ficando conhecidos então, como "Daione Sidhe" ou "Povo das Fadas". Bodb Dearg (Bodb, O Vermelho) foi escolhido como rei, pois era o filho mais velho de Dagda.

Os filhos de Danu eram também conhecidos como "Os Que Sempre Vivem", pois conheciam o segredo da imortalidade. Eles possuíam um Banquete da Idade, deste modo, ninguém envelhecia, quando sustentados pelos porcos mágicos de Manannán e a cerveja de Goban, O Ferreiro. Os filhos de Danu ainda possuíam um médico muito especial, Diancecht. Ele era o guardião da fonte da saúde, juntamente com sua filha Diarmaid. Qualquer um que fosse morto ou ferido deveria ser colocado na fonte para viver e se recuperar novamente.

DEUSA DANA

Segundo uma lenda, Dana nasceu em uma Clã de Dançarinos que viviam ao longo do rio Alu. Seu nome foi escolhido por sua avó, Kaila, Sacerdotisa do Clã. Foi ela que sonhou com uma barca carregando seu povo por mares e rios até chegarem em uma ilha, onde deveria construir um Templo, para que a paz e a abundância fossem asseguradas. Ao despertar, Danu relatou seu sonho ao conselho e a grande viagem começou então a ser planejada.

Também conhecida como Danu, é a maior Deusa Mãe da mitologia celta. Seu nome "Dan", significa conhecimento, tendo sido preservada na mitologia galesa como a deusa Don, enquanto que outras fontes equipararam-na à deusa Anu. Na Ibéria, a divindade suprema do panteão celta é considerada a senhora da luz e do fogo. Era ela que garantia a segurança maetrial, a proteção e a justiça. Dana ou Danu também é conhecida por outros nomes: Almha, Becuma, Birog, ou Buan-ann, de acordo com o lugar de seu culto.

O "Anuário da Grande Mãe" de Mirella Faur, nos apresenta o dia 31 de março como o dia de celebrar esta deusa da prosperidade e abundância. Conta ainda, que os celtas neste dia, acreditavam que dava muito azar emprestar ou pegar dinheiro emprestado, por prejudicar os influxos da prosperidade. Uma antiga, mas eficaz simpatia, mandava congelar uma moeda, fazendo um encantamento para proteger os ganhos e evitar os gastos.

Os descendentes da Dana e seu consorte Bilé (Beli) eram conhecidos como os "Tuatha Dé Dannan" (povo da Deusa Dana), uma variação nórdica de Diana, que era adorada em bosques de carvalhos sagrados.O nome "Dana"é derivado da Palavra Céltica Dannuia ou Dannia. É significativo que o rio Danúbio leve seu nome, pois foi no Vale do Danúbio, que a civilização Celta se desenvolveu. A ligação Celta com o vale do rio Danúbio também é expressa em seu nome original. "Os filhos de Danu", ou "Os filhos de Don".

Dana é irmã de Math e seu filho é Gwydion. Sua filha é Arianrhod, que tem dois filhos, Dylan e Llew. Os dois outros filhos de Dana são Gobannon e Nudd.

É certo que Dana deveria ser considerada a Mãe dos Deuses, depois de ter lhes dado seu nome. Há várias interpretações do seu nome, sendo que uma delas é "Terra Molhada" e o mais poética, "Água do Céu".

Danu é uma das Dea Matronae da Irlanda e a Deusa da fertilidade. Seu símbolo mágico é um bastão.

Seu personagem foi cristianizado na figura de Santa Ana, mãe da Virgem Maria, pois sua existência é proveniente de uma antiga divindade indo-européia. Também é conhecida na Índia, como o nome de "Ana Purna" e em Roma toma o nome de "Anna Perenna".

É bem verdade que a associação das deusas à rios e mares não é estranha a tradição celta. A convicção de que o mar e a água deram origem à toda a vida, sobrevive em nossos próprios tempos. Mas nossa Danu amada teve um reflexo oposto, se Danu é representante das forças divinas da luz, então Domnu representa o frio, escuridão e o medo das profundidades desconhecidos dos oceanos. Domnu também é uma mãe, e a fundadora dos Fomóire, a tribo antiga de adversários que tentaram tomar o controle da lei e da ordem dos Tuatha Dé Dannan, de forma que caos podem reger a terra. O nome Domnu significa "terra" e é derivado do Céltico dubno. O sentido da etimologia é "profundo" ou "o que estende abaixo". Até mesmo o nome dos Fomóire significa "debaixo do mar". Estes Fomóire representam as forças de natureza selvagem, eles são ingovernáveis e ainda necessários ao equilíbrio certo da vida na terra.

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A autora do Texto:

Marta Lott

http://ma-felina-eusouassim.blogspot.com/